Arquivo mensal: dezembro 2011

Poemas em comemoração ao II EBDRC

Muitas Tribos, um Só Fogo

Eu me sentei junto ao fogo do único fogo
Me enrodilhei com serpentes, lobos, barros e tranças
Cantei como Bardo, dancei com as Fadas, amei com o instinto.
Vibrei o espírito com vozes ancestrais,
Queimei como brasa no útero de Danu.
Senti Brigit dançar no ribombar dos tambores.
Pois eu estava lá. Junto com tantos seres queridos.
Junto da poesia e da magia dos Druidas e Druidesas vivos.
Não aqueles dos mitos a quem sim reverenciamos. Mas aqueles de carne e osso,
que nos fazem encher o coração de inspiração e coragem.
Pois uma espiral ainda mais brilhante cresce
Na eternidade e nos três reinos. Awen!

Gabriel Braga Martone

Postado no grupo Druidismo Brasil em 16/11/2011.

Nessa Assembleia

Havia nobres moças
Havia homens honrados
Havia muitas tribos em uma
Onde a natureza foi louvada
Onde as tradições foram lembradas
Onde o solo foi honrado
Nessa assembleia.

Havia risos e conversas
Havia danças e canções
Havia amigos e irmãos
Onde comemos juntos
Onde partilhamos o hidromel
Onde o passado foi lembrado
Nessa assembleia,

Havia louvores aos Deuses
Havia o amor pela Terra
Havia o respeito pelos Ancestrais
Onde a chuva nos atingiu
Onde o vento nos refrescou
Onde o fogo foi aceso
Nessa assembleia,

Havia paz entre as tribos
Havia amizade entre os membros
Havia satisfação nos olhos
Onde armas foram brandidas em paz
Onde palavras foram ouvidas com respeito
Onde o entendimento foi partilhado
Nessa assembleia,

Wallace William

Postado no grupo Druidismo Brasil em 17/11/2011.

Se perguntarem-me

Se perguntarem-me como foi o segundo encontro brasileiro de druidismo,
não será difícil dizer.
Eu vi alegria espalhada em cada canto daquele lugar.
Senti a magia ressoar em cada toque do bódhran,
em cada nota de uma whistle,
em cada melodia da harpa.
Ouvi belas melodias como se viessem de outro lugar…
Vi rostos conhecidos e também desconhecidos.
Sentei ao redor de uma fogueira ao lado de amigos.Bebi o mais doce hidromel.Compartilhei conhecimentos, aprendi ensinamentos, cantei para os Deuses.
Senti-me em Casa, entre irmãos e irmãs como se há muito não os encontrava.
Senti o vento frio das noites beijar minha face,
mas me aqueci no calor da amizade e carinho dos amigos de alma.
Vivi momentos que sonhava há tempos.
Senti-me entrar em uma jornada, em um lugar distante, como se de outro mundo.
E ao regressar dessa bem-aventurada jornada,
trouxe comigo lembranças de dias felizes,
aprendizados profundos,
laços de amizade que jamais serão rompidos.Se perguntarem-me sobre o encontro de druidismo, direi simplesmente…
Foi um maravilhoso sonho. Um sonho incrivelmente real.

Mayra Ní Brighid

Postado no grupo Druidismo Brasil em 18/11/2011.

Irmãos de patas, de garras, de penas, de escamas

Irmãos de patas, de garras, de penas, de escamas,
Vozes diversas, expressões da alma de Hy Breasil
Sotaques de Pindorama.
E nos caldeirões da terra a Awen dança,
Raízes se entrelaçam.
Galhos se tocam.
É o canto da Samauma, Tabebuya Aurea, Araucarea, Figueira Branca, Bambuzal, é o canto do boto, do saci, curupira, é a voz da Jurema, é a Onça Pintada, aha!
É a mata que fala e invoca o espírito primeiro das coisas.
E fala de nossas bocas palavras de mel,
E nos ensina que não há o tempo, não o longe.
E nos movimenta sem que existam limites em nossas razões.
E nos inspira como a umidade inspira a fertilidade e o frutificar
E traz os Deuses para dentro das nossas casas
E faz nascer em nosso centro, uma casa redonda, para todos os sotaques abrigar.

Danielle Ribeiro

Postado no grupo Druidismo Brasil em 18/11/2011.

Sagrada inspiração

Awen, a inspiração sagrada,
Que ao sorver das tuas bênçãos
Num frenesi de emoções,
Uniu nossas tribos durante a jornada

Bardos compunham um som delirante,
Onde ecoavam vozes de almas antigas,
Fluindo entre as espirais da vida
Em plena energia revigorante

O sonho que nos conduz entre os véus,
Seres mágicos, nobres feéricos dos montes
Apresentam-se diante do crepúsculo
Reverenciando a terra e os céus

Será o bosque sagrado centrado em nós?
Sensações entrelaçadas pelos reinos,
Despertam a tal esperança do amanhecer
Propagando seu ritmo intenso e veloz

Chama que aquece e acalenta os corações,
Os Deuses, ancestrais e espíritos da natureza,
Ultrapassam a névoa de prata e tornam-se orvalho
Embevecidos na essência de suas ações

Guerreiros, que a luta seja pela paz
E a nobreza perdure na verdade
Fincando suas espadas no chão
Para que o reencontro seja breve e eficaz

Por Morrighan, Brighid e a sagrada inspiração!

Rowena Arnehoy Seneween /|\

Postado no grupo Druidismo Brasil em 18/11/2011.

Encontro de almas, de mentes de corações

Com brilho nos olhos e sorriso nos lábios, chegavámos, de todas as direções;
Com Brigit insulflando inspiração e sua chama em nós.

Como um rio nossas conversas e Ideais fluiam, afluiam e convergiam;
De nós, para nós, para o Planeta.
E sem que vissemos, mas sentindo sua pungente presença, Mannanan guiava este navio de crença.

Com Nativa soberania iniciamos os saberes.
Seu filho um Xamã, nos ensina a adora-la.
Com Cantigos Prepara-la.
Jurema, és mãe, és Deusa e com nosso coração.
Passamos a ama-la.

Noite se fez e através de outro sábio Danu nos convidou.
E sem palavras ela nos disse:
Todo aquele que se fez nascer,: Gritou, chorou e suou.
Através de seu ventre nos guiou.

O Dagda a tudo olhava, sorria e cantava.
– Gosto de pensar que em sua diversão por nós, ele hesitava em sua Harpa tocar.
Afim de prolongar esses momentos de fiel alento.

Familia se reencontra; Novo dia inicia.
As matinas, minha alma -Anan Cara – Aparecia.

A Ele e a muitos outros entre nós, Amergin o grande Bardo seu Dom Legou.
Música, Dança, sabor entre os seus.
Matando Saudades da Ilha que deixou.
Ao fim do dia se vai, evando com sua alegria, um pouco da minha.

Mas há Lugh a reinar,
Todas as habilidades estão a testar:
Equilíbrio, carinho, espadas, e um novo oráculo a vaticinar.

6 Princesas, sem ninguém ver, correm a adormecida fogueira;
Com travessuras a fazer.
Num momento criança, cantando ciranda
Estreitando laços, fomentando esperança.

Mas hei que são surpreendidas;
por um filho de Lugh a se divertir.
Filho este, que com sua Voz, nos faz a AWEN sentir;
Os 3 reinos, numa espiral, se Unir.

Histórias são contadas;
Vivencias partilhadas, Idéias, Grupos e
Onças apresentadas..

Tranis trégua não nos dá.
Não há problema,Rega a Terra.
Verdeja nosso Lar.

Morrigan o Corvo da Batalha;
Em volta do fogo, no salão da Assembléia anuncia:
Quais etapas de nosso bom combate, Inicia.
Da comunidade obter reconhecimento, Através de nosso DNA com conhecimento.

Ao fim chega nossa estrada, mas ajornada longe está de findar.
Partimos pois, rumo aos nossos horizontes.
Com novos amigos e experiências;
Enrriquecendo com
Histórias, e novas Visões a compartilhar.
música e dança. Verso e proza.
Conhecimento, arte , encantamento
nossa alma e a do mundo.

Perpetuando no universo,
A memória, desse povo
Salutar.

Juliana Couto

Postado no grupo Druidismo Brasil em 18/11/2011.

Que bom seria

Que bom seria viver para sempre assim.Que bom seria viver para sempre assim.
Cantar em honra aos Deuses

Dançar com os amigos e beber hidromel sem fim.
Caminhar livre pelos campos
Sentindo a grama sob os pés
Ouvir o canto dos pássaros chamando pelo sol
E acordar de manhã não por obrigação,
mas para aproveitar o dia e não perder nenhuma canção!

Ah… Que bom seria viver para sempre assim.
Ao lado de amigos que compartilham as mesmas crenças
Cada um trazendo sua luz e características
Mas sem tantas diferenças
Irmãos e irmãs de caminho, o Druidismo
Ou nem isso, a Natureza
A qual somos todos filhos e guardiães de sua beleza
Beleza que reside em sua diversidade,
Provinda do norte, nordeste, sul e sudeste desta terra
Terra eterna e abençoada
Ela é Danu, Erin e também Iaci e Boiúna
Nossa Mãe Amada

Ah… como seria bom viver para sempre assim.
Ser quem realmente é, sem jamais se envergonhar
Olhar para o céu, as árvores e o lago
E então sonhar…
Sonhar que estamos juntos de novo,
Que o passado e o presente se unem como um todo
Ao mesmo tempo, aqui e agora
Antigos e novos Celtas, entre vates, druidas e poetas
E os Deuses e Deusas olham por nós,
A cada passo dessa jornada,
e tecem a teia novamente para reunir seus filhos e filhas
em outro grande encontro lá na frente…

Que bom seria viver assim para sempre.

Mayra Ní Brighid 

Postado no grupo Druidismo Brasil em 19/11/2011.

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Druidismo e Reconstrucionismo Celta

Uma breve definição

Sobre o Druidismo:

Esquecida durante séculos, a figura do druida ressurgiu na Grã-Bretanha ao mesmo tempo que a Revolução Industrial que hoje domina o mundo, com  consequências que se tornam mais problemáticas a cada ano.

Embora nascido junto com a Revolução Industrial, o Druidismo propõe uma relação totalmente diferente com a Terra e recusa-se a fazer parte da guerra que a sociedade industrial move à Natureza, buscando um modo de vida mais sadio e responsável.

O Druidismo apresenta várias formas e alimenta-se de várias fontes: fragmentos enigmáticos da tradição antiga, ensinamentos de sabedoria das culturas célticas vivas, empréstimos de outras tradições espirituais, a inspiração que flui da natureza viva, da terra verde, dos rios que correm e do céu em movimento. É um caminho sempre em aberto, que se aprofunda com a compreensão de suas raízes e é moldado pelos desafios e necessidades de cada época.  Contudo, a crise ecológica e as tensões internas que fragilizam a sociedade industrial fazem do Druidismo de hoje uma busca tão válida e necessária como o era em seu nascimento, há 300 anos.

Bellovesos  

Sobre Reconstrucionismo Celta:

Com o crescente interesse pelas antigas espiritualidades europeias, surgiu o Reconstrucionismo Celta, um movimento religioso e cultural que procura reconstruir e reviver, em um contexto moderno, as práticas e crenças dos celtas pré-cristãos. Seu nascimento ocorreu entre as décadas de 80 e 90 do séc. XX, resultando da iniciativa de um pequeno grupo de indivíduos que procuravam uma conexão mais forte com o druidismo histórico.

Inspirada por esse druidismo, essa tradição espiritual procura reconstruir na medida do possível as práticas e rituais dos celtas pré-cristãos. Para isso, os reconstrucionistas empenham-se em contextualizar e embasar suas práticas no estudo de fontes históricas e acadêmicas, no estudo de outras culturas surgidas da mesma matriz e na valorização da cultura e folclore sobreviventes como ferramenta fundamental para o entendimento e vivência mais profundos de uma espiritualidade céltica, respeitando as diferenças culturais existentes entre focos diferentes, como o gaélico e o gaulês.

Sendo a cultura a expressão da essência de um povo, o Reconstrucionismo Celta procura envolver-se com as manifestações culturais remanescentes em países célticos, como música, literatura, artes visuais, dança e línguas. Busca resgatar os valores morais e éticos, bem como as estruturas sociais, para as práticas individuais e coletivas. Busca proporcionar uma religação com a terra e ressacralizá-la. Mas busca, acima de tudo, manter vivo o antigo espírito celta.

Marcela Badolatto